Sábado, Outubro 25, 2008


?

Os padrões nunca foram os mesmos, mas nunca destoaram tanto. Tornou-se estranho ao mundo interior bem mais do que ao exterior. Não sabe bem como se posicionar e que atitude tomar. Teme algo que nem mesmo conhece, um frio que nem mesmo sente, e uma sensação de fracasso definitivo. Finalmente acorda, como se estivesse terminando um conto de fadas e voltando para a vida real. Sente que o absurdo não é tão absurdo assim. E que no dia-a-dia os julgamentos são constantes, mas não permanentes.
Decide encarar a rotina e a existência como uma necessidade altruísta, por mais que possa ser podre demais para o bom mocismo convencional. O altruísmo muitas vezes não é uma alternativa considerada realmente altruísta. Não chora mais. Não vê motivos. Vê na realidade contemporânea uma mescla de oportunidades e escarros. Aproveita o que acha válido, mas não escarra por puro descaso. Aprecia tudo com vontade efetiva de mudança. A benevolência não está no vocabulário, mas aparece em sua vida diariamente.
Ele ama, acima de tudo, àqueles que podem lhe fazer ascender de alguma forma. Essa ascensão, que se torna tão discutível, parte de um princípio tão simples que pode ser julgado como bobo. O amor, visto como a chave de tudo, não se manifesta assim para Pedro, o garoto que está entre dois amores, duas possibilidades, e nenhuma decisão. Com Ana ele considera que cresceu, aprendeu a amar de forma única. Com Natália, ele descobriu um novo tipo de sentimento, e desistiu de Ana. E agora, Pedro?

por rororo às 1:14 AM



Quarta-feira, Abril 02, 2008


Juno [2007]*


Sentei em frente ao dvd desprevenida, esperando Juno me contar sobre sua vida aos 16 anos. Nas primeiras cenas, 'Once I loved', de Tom Jobim, interpretada por Astrud Gilberto. A trilha sonora seguiu com The Kinks, Cat Power, Velvet Undergound, Kimya Dawnson, The Moldy Peaches e outros nomes alternativos acompanhando a história da adolescente que engravida de Paulie Bleeker, seu melhor amigo, e se vê em dúvida sobre o que fazer com a criança.

Tantos confetes em torno do filme poderiam criar uma expectativa difícil de ser correspondida. Só que a forma como o roteiro é conduzido deixa as expectativas de lado para que o espectador entre no universo da personagem e se surpreenda. Para os apreciadores de boa música, só pela trilha sonora e a escola punk 77 da garota o filme já valeria a pena. Além disso, o diretor Jason Reitman conseguiu dar a um conflito pouco ou mal trabalhado no cinema um direcionamento provocante e pouco convencional.

A obrigação moral de se criar um filho porque ele foi gerado na barriga da mulher é discutida de forma irônica e também confusa, não só na mente da garota. Juno foge do padrão e ainda assim é aclamada, pelo altruísmo que sugere em forma de deboche, mas que é realmente exercido na prática. O filme é tão bonito, realista e tosco que ainda estou besta. Difícil não se colocar no lugar de Juno, procurar compreender suas transformações e questionamentos e pensar no que faria se fosse ela.

Então, assistam o filme e baixem o disco: aqui.

*Post escrito originalmente para o The Night Before.


por rororo às 4:27 AM



Terça-feira, Setembro 04, 2007


Sonhos simples, breves trechos

E, quando ela achou que não coraria mais com tanta facilidade, olhou para o outro lado da rua e o viu sorrindo. Ela retribuiu o sorriso, mas enrubeceu. Iam aos mesmos bares, estudavam no mesmo corredor, mas um sorriso como aqueles, há, ela nunca tinha visto nele. Parecia leve, livre de preocupações e disposto a sorrir, sem precedentes.

Quando ela sentou no café ao lado da biblioteca, ele passou, novamente sorrindo, fez que ia embora, voltou e perguntou:

- por que a gente nunca conversa?
- talvez porque a gente não se conheça.
- é, mas eu te vejo todo dia.
- eu também.
- isso é um começo.
- pode ser.
- depende do que?
- de você sorrir mais vezes.
- eu vou sorrir.

Ouvindo: Supercordas – A pior das alergias

por rororo às 5:57 PM



Sexta-feira, Abril 13, 2007


Palavras são tolas, em tolas bocas

Helena não queria acreditar, mas estava se deixando influenciar por aqueles sentimentos tórridos que antecipam as paixões cinematográficas. Toda vez que Gustavo terminava com a namorada ele corria para os seus braços. Ela sempre oferecia seu ombro amigo e suas opiniões sinceras. Não se importava em ouvi-lo, aconselha-lo e tranqüiliza-lo. Passavam-se alguns dias e ele acabava voltando para Letícia. Dessa vez era diferente. O azul dos olhos dele parecia mais brilhante ao comentar o fim do relacionamento. E não era um brilho acompanhado de lágrimas, era um brilho intenso e vivaz, um brilho de liberdade.

Helena se encantou com aquele olhar. Gustavo estava cada vez mais perto. Aos poucos, apossou-se da vida da garota. Juntos os dois pareciam invencíveis. E eram. O sol lhes sorria, a chuva não incomodava, as estrelas estavam sempre no céu e a lua iluminava os passos dos dois. Durante uma semana os sinos tocaram, as pernas ficaram bambas a cada encontro e o frio acompanhou os jantares regados a vinhos e queijos. Era difícil acreditar que na semana anterior Gustavo estava tão preso a outra.

No domingo a noite despediram-se e Gustavo foi para a casa dos pais. Helena caminhou até o mercado e comprou uma caixa de chocolate. Locou alguns dvds e voltou para o apartamento. Puxou a coberta e assistiu Uma lição de amor. As regravações das canções dos Beatles e a história familiar sempre a faziam chorar, mas naquele dia isso não aconteceu. Em seguida, assistiu Pequena Miss Sunshine, e chorou.

Sem se entender, dormiu no fim do filme. Acordou sorrindo ao som do telefone. Gustavo ligou apenas para lhe desejar bom dia. Ela agradeceu e os dois combinaram de almoçar no restaurante perto de seu apartamento. Ele levou flores e a pediu em namoro. Ela odiava flores e não aceitou o pedido. Ele perguntou porque e desenvolveu a teoria do romance perfeito. Ela levantou, pegou sua bolsa, deu um beijo no rosto de Gustavo e disse adeus. Na semana seguinte, ele voltou com a namorada. Helena sentia-se bem.

Ouvindo: Mordida - Tókio/ Garotas Suecas - Difícil de domar

por rororo às 4:21 AM



Quinta-feira, Abril 05, 2007


Pensando em pensar quando o tempo parar de passar

Alice decide parar de pensar sozinha e inicia uma conversa com Pedro, seu irmão adolescente:

- O não fazer também é fazer, sabia?
- Ahm?
- É sim, eu acho que enquanto você não faz nada você está fazendo muita coisa!
- Como o que, por exemplo?
- Pensar, enquanto você não faz nada você pensa um monte!
- Pensar não vale.
- Como não?
- Tá, vale, mas eu posso pensar enquanto vou pra escola!
- Pode sim, mas não é o mesmo que pensar quando se está numa cama acolhedora.
- A cama não fica acolhedora quando se começa a pensar demais.
- Por que não?
- Você nunca teve insônia?
- Claro que sim! E ainda tenho.
- Então!
- Então o que?
- Você se sente bem enquanto olha pro teto e fica pensando?
- Dependendo do que eu estou pensando, sim.
- E no que você pensa?
- Ih, tanta coisa e você?
- Penso que o teto é branco.
- Só?
- Acho que ele não deveria ser branco.
- Mas por que?
- Por que branco não é uma boa cor pra ficar olhando às duas horas da manhã.
- E que cor você prefere?
- Azul.
- Azul é legal.
- É, eu sei.
- Vamos pintar o teto?
- Mas você não queria ficar pensando deitada na cama?
- Decidi que é hora de pensar pintando o teto! Você me ajuda?
- Só se depois você me deixar deitar na cama pra pensar.
- Tá bom, agora levanta e me ajuda a achar tinta na garagem!

Ouvindo: The Coral - Invisible Invasion

por rororo às 2:22 AM



Quinta-feira, Março 29, 2007


Pedir um pouco de sossego não é exagero

Banda Ursulla aposta no sossego rural para criar

A simplicidade de um sítio cercado pelo verde das árvores e das plantações. O coro das rãs silenciado pelo som das guitarras, da linha de baixo, da batida da bateria e do vocal harmonioso. Quatro músicos em processo intenso de criação num galpão rústico de madeira com as paredes pintadas de branco. A banda Ursulla em seu habitat.

Nos ensaios diurnos de finais de semana a região joinvilense conhecida como Cubatão distancia-se da ruralidade cotidiana. Na estrada de chão em frente a casa do guitarrista Marcelo Silva os olhares dos moradores e das crianças são curiosos. As distorções podem ser escutadas por quadras. E não parecem incomodar. Do antigo período em que o sítio era também visitado por metaleiros só restou o pentagrama numa das paredes.

Desde junho de 2006, o que os vizinhos ouvem são canções menos virtuosas e mais sentimentais. Composições em português que falam de sossego, inconstância e amores possíveis (ou não). A mistura do liquidificador de influências indies com a vontade de criar algo para deleite próprio e coletivo resultou numa banda bem introsada e talentosa. O clima dos ensaios é de brincadeira constante, equilibrada com a seriedade de músicos que sabem o que querem e priorizam a arte.

Marcelo Silva canta e toca guitarra, Alex Silva e Israel Rolim também cantam e revezam guitarra e o baixo, Sérgio Beckert assume as baquetas e a bateria. Já conhecidos na cena musical de Joinville pelos trabalhos em suas antigas bandas - Poetas de Mármore, Morghana em Lágrimas e Ambulantes - os quatro parecem amigos de infância. No sítio, ensaiam e preparam o repertório dos shows. A divulgação massiva em sites de música alternativa e comunidades do orkut tem repercutido positivamente e surpreendido os integrantes. O reconhecimento merecido virá, é só uma questão de tempo.

Ouça o quarteto no Bandas de Garagem e no My Space.

Como o blogger não deletou minha conta, decidi voltar. Escrever é sempre bom, espero que gostem.

Ouvindo (mentalmente): Mordida - You do something

por rororo às 2:19 PM



Terça-feira, Outubro 24, 2006


Eu não acredito, eu não acredito, eu não acredito, eu não ...

Curitiba me faz bem. Três dias de risadas, pérolas e fatos que nem me atrevo a tentar explicar. O importante é que, apesar dos desencontros, foi divertidíssimo. Chegada na rodoviária às 18h e 30 minutos de sexta-feira, Cibelle motorista, Holly, meia hora no carro e enfim pude me alimentar com dois pães enormes. Quinze minutos depois, os pais dela surgem com uma pizza. É claro que comi mais um pedaço. Internerds, Sílvia, letras de amargura e disfarces, rs, fotos e vamos para o Retrô. Dois guris doidos para quebrar a cara, discotecagem ruim, primeira banda e Mordida. Ótimo show que eu não deveria ter visto. Porão Rock Club: Vanguart já tocou? Já. Eu não acredito... Depois da confirmação da banda, acreditei, me indignei, me odiei e me acalmei. Conversas divertidas, pessoas derrubando a agenda das outras, dizendo pra que que existe coca-cola e escrevendo besteiras em flyers. Um cd quebrado pelo Bruno. O moço que teve um piriri na MTV Tour Independente contando detalhes da situação. Comentários sobre Jointville (com t mesmo) e o rock tristinho do Festival da Capricho. As comparações com a Nara Leão e o tchau, vamos embora. Começo da manhã com a pizza do início da noite sendo devorada e o Before Vallegrand no repeat até as 9h da manhã, quando acordei chorando de cãibra atrás do joelho esquerdo. Espirros, renite atacada, dor, sono e computador. Mas o pior ainda me esperava. No meio da tarde o chuveiro queimou e tomei banho de panela. Esperei visitas que não chegaram e dormi vinte minutos. Enquanto eu e a Ci forrávamos o estômago com pão, descobri pelo pai dela que o disjuntor tinha APENAS caído, hahaha, que legal! Com a barriga cheia, fomos para um jantar beneficente com comida chinesa, sorteios e bingo. Jantamos, não ganhamos nada e voltamos gargalhando para uma noite de sono tranqüila. O celular da Ci tocou, raios de sol entraram pela janela e acordei assustada pensando: onde eu estou? Retardada. Encontramos a Sílvia na feirinha do largo da ordem, andamos, andamos, bebemos água de coco, rememoramos o final de semana e, quando íamos decidir o que comer, encontramos Parffit, Patsy e Thiago no Bar do Alemão. O encontro de amigos catarinenses em Curitiba foi excelente, almoçamos batata-frita e chopp! A Ci me levou na Tati para conhecer o Cícero. O pequeno, no auge dos seus cinco meses, é risonho, sapeca e muito fotogênico. A tarde passou sem que eu percebesse e quando vi já era hora de voltar. Os amigos catarinenses saíram do estádio felizes com a vitória de 2 a 0 do Flamengo sobre o Paraná e passamos pelo Habbib's para pedir cinco esfihas de carne, cinco de queijo e cinco de frango, cinco pastéis de carne, cinco de queijo, cinco quibes e dois litros de suco de laranja. A senhora mal humorada pediu para que repetíssemos o pedido, hahaha Voltamos para casa mais gordos, mas felizes :) Para finalizar, pérolas em solo curitibano:

Quem tá cansado, 'sessenta'!
Senão fosse você, ele não teria dado em cima de você.
Senão fosse eu, você não teria ido para lá.
Cinqüenta, quase uma boa idéia!
Eu ganhei um adesivo!
Fiquei tão emocionada que fiquei até surda.
Pra que que existe coca-cola?
Pra que existem costelões?


Ouvindo: Vanguart - Before Vallegrand

por rororo às 2:37 PM



Quarta-feira, Setembro 27, 2006


Se tu diz que não sou normal/ meu bem, isso que é legal

Sem comentários sobre os últimos dias. Estou impressionada com a minha cara de pau e surpresa por estar conseguindo agilizar minhas coisas, dormir pouco e ainda assim me sentir bem! Vou postar mais um texto que fiz nas aulas de Criação Literária. Esse ficou massa, haha

O burro

O churrasco do almoço de domingo estava salgado. Após comer, bebeu bastante água. Não adiantou. O corpo estava deitado sobre a cama, imóvel. A barriga, inchada. Maria de Lourdes, sua esposa, entrou no quarto e gritou: Burro! Burro! Burro! Ela sabia que ele passara mal por comer demais e não pelo excesso de sal na comida. Nervoso, Cláudio balbuciou: o remédio foi esquecido. Maria ligou para a farmácia e disse que era urgente, pediu para o farmacêutico vir logo. Pegou o filtro de água e ergueu bem alto, para que Cláudio não o alcançasse. O homem obeso sabia que depois daquele dia, não comeria carne por bastante tempo. Torturou-se por isso. O farmacêutico medicou Cláudio e foi embora. Ela o ignorou e foi para a casa da vizinha, contar como o marido era burro. Gordo e burro.

por rororo às 7:43 PM



Terça-feira, Setembro 19, 2006


Fui no mangue catar lixo/ pegar caranguejo, conversar com urubu

Parece inacreditável, mas enfim a Nação Zumbi tocou aqui! Durante a tarde e o começo da noite de sábado tiveram apresentações de teatro de bonecos, muito bem produzidas e engraçadas. No show da Nação dancei e pulei o tempo todo. Foi ótimo pra descarregar tudo de ruim que eu estava sentindo. Show com clássicos do manguebeat, canções do Futura e dos outros discos fabulosos produzidos na carreira deles. O bis que teria duas músicas acabou tendo quatro e o povo delirou mais ainda. Aquele show terminou com a sensação de quero ver tudo de novo a noite inteira! Como o Sesi Bonecos acabou cedo, sai do pavilhão novo da Expoville e depois fui com a Manu e a Joana pro Divinas assistir Demodês (Joinville/ SC) e Vitrola Velha (Curitiba/ PR). Foi ótemo pra dançar, dar risada e distrair a cabeça. É Impressionante como esses showzinhos me fazem bem, o problema na maior parte das vezes são as pessoas em volta, mas é só fechar os olhos que elas desaparecem e as coisas ficam legais :) Vou tentar postar com mais freqüência nisso aqui, mas não prometo nada. Minha vida tá dando voltas absurdas diariamente e estou à beira de um colapso nervoso, preciso de férias (de novo)!

Ouvindo: Nação Zumbi - Afrocibedelia

por rororo às 5:28 PM



Terça-feira, Agosto 29, 2006


Churururu fon fon, churururu fon fon

Eu preciso falar que vi Repolho e Os Legais no Curupira. Preciso dizer que foram dois dos shows mais engraçados da minha vida e que eu me diverti muito, muito mesmo. Quem não conhece Repolho, faça o favor de procurar agora no Trama Virtual e dar risadas com as belíssimas composições dos chapecoenses. A banda fez um show repleto de hits, com um público ensandecido cantando tudo. Após todos os integrantes deitarem no palco, o povo fez o mesmo no chão do curupira (e isso me inclui, hahaha). Depois um djóvem local começou a me encher. Delicadamente disse a ele: Não me encosta! Tive que ouvi-lo resmugar um: ahm, ahm, a gata disse não me encosta, ahm, ahm, levantei puta da cara e o deixei falando sozinho. Para me acalmar, comi um bom cachorro-quente e fui ver Os Legais com a Manu. Ela só entendeu que não era bom ficar em frente ao palco quando o isopor começou a ser jogado e um legal de capacete começou a serrar uma máquina de lavar. Dessa vez, eu estava menos tímida, quebrei isopores na cabeça das pessoas e fugi do cara com carrinho de supermercado, hahaha. Foi uma noite muito sem noção. Só lamento o fato de ter voltado antes do show terminar (a Jô e o Gustavo precisavam ir embora), mas valeu a pena! Quem quiser conferir fotos da parafernália toda, pode entrar no site do Curupira. Hasta la vista!

Ouvindo (mentalmente): Repolho - Guadalajara

por rororo às 9:50 PM



Quarta-feira, Agosto 23, 2006


Reencontros

Na festa de formatura de Rafaela, Helena dançava e se divertia com as amigas. Naquela madrugada, o namorado dormia em casa. Eduardo teve insônia e ficou preocupado com o sumiço da garota, que não havia sequer telefonado ou mandado uma mensagem. Na formatura, ela reencontrou velhos amigos e só voltou para o apartamento dos pais às seis horas da manhã. Ao abrir a porta, deu de cara com o pai, que perguntou se aquilo eram horas. Rindo, respondeu que a noite tinha sido boa demais para que ela voltasse cedo. Seu José parou por um momento, pensou, preferiu ignorá-la, deu meia volta e foi para a cozinha tomar café. Enquanto Helena colocava o pijama, Eduardo saia para trabalhar. Após acordar, ela ligou o computador e os dois conversaram num programa de mensagens instantâneas. Brigaram, trocaram ironais e fizeram as pazes. No final da tarde, se encontraram na confeitaria do shopping. Enquanto ele dava o primeiro gole no café, ela comentou que havia sentido sua falta na noite interior. Eduardo riu e disse que não havia sido chamado para a tal festa e que ficara preocupado com a falta de notícias da namorada. Após engolir um pedaço de bolo, Helena afirmou que o tinha convidado, sim. Eduardo reclamou de sua indiferença e ela se fez de desentendida. Terminaram o lanche, saíram de mãos dadas, passearam pelo shopping e foram ao cinema. Na tarde seguinte, a garota pediu um tempo para pensar. Eduardo ficou confuso e perguntou o porquê daquilo. Afinal, tudo parecia tão bem até aquele momento. Ela recusou-se a responder, virou as costas e foi embora. Eduardo foi o último a saber sobre o outro convidado daquela festa.

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Como estou renitenta, resfriada, sem nariz e inspiração para falar dos últimos dias, vou postar mais um texto da aula de Criação Literária. Espero que tenham gostado!

por rororo às 10:21 PM



Quarta-feira, Agosto 16, 2006


Não tente entender o passado, não tente prever o futuro, apenas não deixe de lado, seu desejo mais puro

A saga do Guilherme acabou no momento em que ele encontrou o Dani em Paris. Não irei atrapalhar a diversão deles por lá. O Gui precisa esquecer a Ana e uma narradora intrometida não ajudaria em nada. A minha saga recomeça e esporadicamente publicarei alguns contos. Percebo melhoras no meu humor quando consigo escutar Criaturas sem chorar, lavar o banheiro ouvindo e cantando Supergrass pra rua inteira ouvir e dançar ao som de Beatles enquanto arrumo a bagunça diária do meu quarto. Mesmo com o mundo explodindo lá fora, até que estou me virando bem. Caminho bons quilômetros por semana, penso bastante na vida, vou em showzinhos legais e tenho bons amigos, o que mais posso querer? Bem, eu quero mais sim. Só que no momento estou me contentando com o que tenho mesmo. Não posso mudar meus pais e nem meus sentimentos, então vou tentando ser feliz como posso!

Ouvindo (mentalmente): Criaturas - Lugares comuns

por rororo às 9:58 PM



Segunda-feira, Agosto 07, 2006


Historinha X - Boas notícias

A raiva que sentia pela ex-namorada só aumentava. Esperava ansiosamente a resposta da carta que tinha enviado a Daniel. Dona Lola já havia lhe dito que pagaria a viagem à Paris, mas ele queria a companhia do amigo. Há três noites Guilherme não conseguia dormir. Na madrugada de segunda-feira, o telefone tocou:

- Você vem? Estou em Paris e te espero aqui.
- Cara, que notícia boa! Meu passaporte já ficou pronto, amanhã mesmo estou indo para a França.
- Está certo, vou te passar um email com meu endereço e verificar os vôos que chegam do Brasil. Até mais, venha preparado, aqui está muito frio!

Ao desligar o telefone, a euforia tomou conta de Guilherme. Ele tinha um bom motivo para esquecer Ana. Iria encontrar seu amigo de infância e aproveitar as noites parisienses. Fez as malas, ligou para dona Lola e seguiu para o aeroporto. Na quarta-feira estava em solo francês, encontrou o amigo Daniel e os problemas, bem, esses já faziam parte do passado.

por rororo às 7:42 PM



Quarta-feira, Agosto 02, 2006


Historinha IX - Voando

O trânsito estava enlouquecedor no início daquela noite. Guilherme se desesperava com a sequência ininterrupta de sinais fechados. Quando algum motoqueiro ou motorista tentava ultrapassá-lo ele tinha surtos de raiva, esmurrava o volante e proferia todos os palavrões que conhecia com uma rapidez desajeitada. Sua mãe precisava estar no aeroporto dentro de 40 minutos. E ela ainda nem estava no carro! Guilherme tinha de buscá-la na casa da avó, que ficava um pouco distante do bar onde tinha ido naquele dia. Se dona Lola perdesse o vôo para o Japão, Guilherme teria de ouvir calado todos os palavrões que mencionara anteriormente. Ele se imaginava como um personagem de desenho animado e sonhava em ter asas nas laterais do carro. Mesmo sem as asas, decidiu voar. Tinha pressa. Chegou na casa da avó em quinze minutos e a viu sentada tomando café e conversando com a filha. Perguntou se a mãe queria perder o vôo. Dona Lola riu e a vó Leda apontou para o relógio na parede, indicando que ainda tinham duas horas para o papo, o café e as bolachinhas. Guilherme olhou para o relógio de pulso e constatou que este tinha parado. Enquanto as duas riam da situação, foi para o carro esperar a hora de levar dona Lola para o aeroporto.

por rororo às 7:55 PM



Quinta-feira, Julho 27, 2006


Historinha VIII - Vinganças banais

Entrou no apartamento e viu na sala os discos quebrados e os desenhos rasgados. A cozinha estava imunda. Não sabia se tinha feito isso antes de sair para tocar ou se os cômodos tinham sido revirados por algum assaltante. Entrou no quarto e Ana estava sentada na cama, fumando um cigarro e com os olhos fixos no porta-retrato. Enfurecido, arrancou o cigarro de suas mãos, a tomou pelos braços e indagou:

- Estás ficando louca?
- Eu, louca? Só fiz o mesmo que fizestes no meu apartamento há algumas semanas.
- Vais pagar por cada disco quebrado e limpar a cozinha agora.
- Vejo que o louco aqui és tu!
- Anda, não pedirei de novo.

Ana jogou o porta-retrato no chão e antes de chegar até a porta, sentiu sua nuca molhada. Olhou para trás e viu Guilherme enxugando a boca na manga do casaco. Revidou cuspindo na cara dele e desceu as escadas dando risadas. Guilherme ligou para a mãe e pediu o número de uma faxineira.

por rororo às 7:41 PM



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